Vencendo as barreiras nos relacionamentos


as dificuldades dentro do relacionamentoQuem se abre aos relacionamentos deverá estar sempre disposto a resgatar a saúde do convívio, mesmo quando inúmeras situações indicarem a facilidade da fuga como válvula de escape.

Se não tivéssemos aprendido um pouco sobre a metamorfose das borboletas, sequer poderíamos imaginar que o mesmo inseto que esvoaça entre flores tenha sido uma asquerosa lagarta, a qual semanas antes estava rastejando pelo mesmo jardim. Foram necessários interesse e maturidade para estudar o delicado comportamento dessas lagartas, do contrário, teríamos nos empenhado no extermínio daquelas devoradoras de plantas e erradicaríamos da natureza a beleza colorida que vivifica os bosques. Uma dedicação semelhante se faz necessária para cada um de nós quando a questão envolve vidas e diferenças de comportamentos.

Como seria fácil se, para o nosso convívio diário, – diante das divergências e na tentativa de convencer alguém sobre uma determinada opinião – pudéssemos inserir um cartão de memória pré-programada para obter os resultados esperados, como fazemos em máquinas… Ou ainda, não estando satisfeitos com as atitudes e procedimentos de alguém, simplesmente cortássemos o contato com ele, como podamos os ramos de uma árvore em nosso jardim.
Por diversas vezes já tivemos vontade de “abrir” a cabeça de alguém e fazer com que ele entendesse o nosso pensamento para que vivesse a nossa vontade. Entretanto, bem sabemos que, diante de tais desafios, muitas vezes, tomamos atitudes enérgicas, apoiadas em nosso autoritarismo. Se assim agirmos, estaremos sufocando a “metamorfose” na vida daqueles que ainda precisarão atingir o próprio amadurecimento, tal como ocorre com as borboletas.

Quem se abre aos relacionamentos deverá estar sempre disposto a resgatar a saúde do convívio, mesmo quando inúmeras situações indicarem a facilidade da fuga como válvula de escape. É verdade que somente nos desentendemos com aqueles com os quais realmente convivemos e, de maneira especial, quando as coisas não vêm ao encontro das nossas cômodas intenções. Muitas vezes, preferiríamos viver numa ilha, isolados de tudo e de todos, especialmente quando experimentamos as asperezas dos desentendimentos, comuns e pertinentes às nossas amizades. Em outras ocasiões, surge até o desejo de pegar um dos nossos amigos pelo pescoço, chacoalhá-lo e jogá-lo contra a parede. Certamente, tal vontade tem de ser controlada, já que esses sentimentos tendem a desaparecer com a mesma velocidade com que emergiram no calor dos ânimos exaltados.

Contudo, a lição proposta pela vida é a de sempre conquistarmos alguns passos à frente na caminhada que estamos trilhando rumo à maturidade. Mas como fazer com que um infortúnio se torne uma história de superação? Sem culpar pessoas ou acontecimentos, passemos a considerar as consequências do impasse que estamos enfrentando. Sem parar na dificuldade, busquemos as possíveis soluções ao nosso alcance. Pois, assim como o rochedo desafia um alpinista, as nossas diferenças permanecerão imóveis até que nos coloquemos em ação para superá-las.

Tal como as ondas do mar roubam as areias sob os nossos pés, as desavenças, impaciências, irritações, invejas solapam os alicerces das nossas amizades. Penso não existir coisa mais descabida numa relação pessoal do que o ato de “dar um gelo”, ou como alguns preferem dizer: “matar fulano no coração”, ou seja, esquecê-lo. Ignorar, mudar de calçada ou desconsiderar a presença de alguém, que antes fazia parte de nosso círculo de amizade, faz com que retrocedamos ao tamanho das picuinhas dos seres mais ínfimos que podemos imaginar. Seríamos injustos se comparássemos tais atitudes ao comportamento infantil, pois, na pureza peculiar das crianças, sabemos que logo após seus acessos de raiva, estas instantaneamente voltam à amizade sem nenhum ressentimento ou mágoa.
Pelos motivos acima apontados, muitas vezes, ferimos os sentimentos daqueles com quem convivemos; talvez, na mesma intensidade de uma agressão física.

Para nós adultos, reviver a aproximação com alguém que tenha nos ferido não é uma atitude fácil. Ninguém é superior o bastante para estar livre dos erros e deslizes em seus relacionamentos. Podemos ser vítimas, também, de nossos próprios ataques que, refletidos em atos potencializados pela ira, descontentamento ou ciúme, tenham decepcionado um amigo com nossas grosserias ou indiferenças. O restabelecimento desses abalos em nossas relações, ainda que não seja algo fácil, poderá ser possível ao tomarmos a iniciativa da reaproximação, por exemplo, a partir das atividades ou coisas que eram vividas em comum.

“Atire a primeira pedra aquele que nunca errou”. Assim, ao nos colocarmos na mesma condição – sujeitos aos mesmos erros – justificaremos a atitude do destrato sofrido não como sendo um comportamento próprio do nosso amigo, mas como resultado de uma faceta ainda desconhecida dentro do nosso convívio, a qual precisará ser trabalhada.

Deus abençoe o seu, o meu e o nosso esforço.

Um abraço,

Dado Moura

(*) artigo compilado para a revista Canção Nova

4 Responses to Vencendo as barreiras nos relacionamentos

  1. Gabrieli Pedretti disse:

    Conheci uma pessoa que está passando por uma fase ruim. Uma vez ele me disse que não acredita mais que ele possa viver um relacionamento sério, pois foi enganado muitas vezes por algumas pessoas. Tenho conversado muito com ele tentando traze-lo de volta pra vida, pois ele se fechou de uma maneira muito intensa e que está sendo dificil pra mim, tentar me aproximar… Estou apaixonada por ele, e estou usando todas as minhas forças para, primeiramente, vê-lo bem consigo mesmo, e também traze-lo para perto de mim. Quando envolve pensamentos e atitudes diferentes é muito complicado, mas quando se tem amor e paciência, tudo pode, tudo acontece e claro, ter Deus no coração.

    Lindo texto, me fez ter mais forças para lutar por ele.

  2. Ivete Maria disse:

    Somente AMANDO resolveremos várias situações difícies!

    Obrigada Dado :-)

  3. fa_joh RJ disse:

    oi Dado td bem!!! é bem complicado a gente se relacionar com algumas pessoas, entender a atitudes de algumas delas. Vejo que a melhor maneira de cuidar dessas pessoas é o AMOR, não vejo outra alternativa, com o tempo elas entendem que estou certa. FELIZ ANO NOVO.
    bj,

  4. Benildo Eduardo Guiamba disse:

    Doutor e dignissimo Dado Moura, sirvo do seu espaco e da boa boa capacidade e conhecimento sabio para dizer que hoje em dia paises como o meu(Mocambique), tanto se fala da motivacão e várias são as fontes que nos dão a conhecer a verdadeira vantagem da motivacão mas continuam ignorando-a. Várias empresas e instituicões Nacionais continuam a pautarem por pécimas condiões de higiene no ambiente de trabalho, condicão insegura associada ao acto inseguro dos trabalhadores e por consequência a produtividade é extremamente baixa e constantes acidentes de trabalho. importa também referir que a maioria das regiões mocambicanas e até mesmo mundiais clamam por falta de emprego enquanto que os que o tem, é sempre em dois e/ou em cinco(5)postos de trabalho. No fim, baixos rendimentos devido a fadiga, ausências constantes no trabalho e familiarizacão do emprego apesar de termos bons quadros que dia apos dia são formados e caem no olho da rua e países cada vez mais pobres. Mas isto tudo, para mim desagua num total e verdadeiro desemprego intelectual e economias cada vez pobres e decrescentes imbutido nessa vertente a inflaccão.

    Cordiais Saudacões e continuacão de um bom dia e fim da semana.

    Benildo eduardo Guiamba

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