A verdade não usa máscaras


mascaratxt1Antes que a arte de imitar saia dos palcos e adentre em nossos relacionamentos, melhor será não mascarar os fatos da vida real.

Para um ator é necessário – para o exercício da profissão – interpretar inúmeros personagens. Antigamente, no teatro as máscaras eram utilizadas como peças de caracterização, as quais ajudavam os atores a compor um personagem. Por um período de tempo, o ator, na apresentação do seu trabalho, finge ser outra pessoa. Todo esse esforço visa tornar um personagem fictício em alguém “real”, provocando e arrancando as emoções desejadas dos espectadores.


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Em muitas ocasiões, podemos correr o risco de fazer da vida um teatro; fingindo e convencendo outra pessoa com falsas impressões.
No nosso dia a dia, facilmente identificamos momentos em que também representamos. Muitas vezes, temendo complicar uma situação ou querendo ser educados, fingimos ter gostado de determinada comida, mesmo que esta esteja sem sal, somente para não desagradar a quem nos oferece. Da mesma forma, se alguém nos telefona em hora inoportuna, fingimos estar ocupados para encurtar a conversa; entre outras desculpas.

Ainda dentro desse contexto, há empregados que fingem trabalhar. Na roda de amigos se uma pessoa achar conveniente personificar um “santo” agirá como tal. Diante da namorada, se for interessante, fingir-se-á ser carinhoso. Diante do patrão muitos empregados parecerão aplicados… Seja de um modo ou de outro, acabamos por aprender a arte da dissimulação.

Nada disso será problema para quem se habituou a representar e a viver mais um papel. Mas o perigo de tantas simulações é torná-las um hábito a ponto de se tornarem espontâneas ou dignas de fé.
Como um “camaleão” a pessoa será capaz de “atuar” mediante suas necessidades, buscando sempre tirar vantagens por meio do convencimento.
Por mais inofensivas que possam parecer tais interpretações, elas passam a fazer parte da vida de quem está acostumado a fingir, dificultando-lhe o discernimento entre o que é real e o que é ilusório.

O fingido quando contestado, insiste em dizer ser verdadeiro; e acreditando na sua versão, poderá até jurar. Contudo, para quem está habituado a interpretar, tal juramento será mais uma performance.

Todavia, na convivência diária, nada fica oculto. Cedo ou tarde, será impossível não perceber os deslizes de quem dissimula.
Antes que a arte de imitar saia dos palcos e adentre em nossos relacionamentos, melhor será não mascarar os fatos da vida real. Pois, triste será a decepção da pessoa amada ao deparar com as contradições e manobras de um cônjuge ardiloso.
Em nossos convívios a verdade não deve usar máscaras nem ofender.

Artigo relacionado: O momento para falar a verdade

Um abraço

Dado Moura

9 Responses to A verdade não usa máscaras

  1. Lu disse:

    Recebi seu post no meu e-mail e fiquei intrigada, desde o título. De imediato lembrei-me de Drummond e seus escritos porque uma coisa que eu sempre me pergunto é “o que é a verdade?” porque sejamos sensatos, a verdade é uma via de duas mãos, depende de quem fala e quem ouve e não adiante dizer que só tem uma direção, as próprias religiões nos apresentam meias verdades.
    O uso de máscaras nem sempre está condicionado ao fato da pessoa querer ser outra, existe o medo de se expor. No palco, o ator é outra pessoa e vende a sua verdade, a sua ilusão. Na vida não é muito diferente, cada um compra o que deseja porque não é fácil conhecer o outro e quem realmente deseja conhecer o outro nos dias atuais? Estamos ocupados demais criando nossos próprios fantasmas.
    O que me incomoda verdadeiramente não são máscaras e sim o rótulos estúpidos que o humano cria para determinar a condição do outro: gay, negro, branquelo, macumbeiro, pobre, vadia e por aí vai, como se alguém na face da terra fosse tão melhor e tão superior que pudesse impor ao outro um rótulo inferior que determine sua condição numa sociedade.
    Enfim, se dentro de um relacionamento existe aquele que usa máscaras é porque quem está com esse alguém nunca prestou a devida atenção ao outro porque na vida a dois (seja num casamento, namoro ou simplesmente amizade) a condição é aprender o outro. Mas continuo achando que somos limitados a nós mesmos, ao nosso próprio umbigo, preocupados demais com coisas futeis.
    grande abraço

  2. Luiza disse:

    Fantástico este texto. Como estamos convivendo com pessoas assim… Dado, que Deus abençõe sempre a sua vida.

  3. fa_joh RJ disse:

    Muito bom!!! bem legal o texto, tds nós já conhecemos ou conhecemos alguém que já deparou com pessoas assim. Peço a “DEUS” por tds essas pessoas, e se eu vier a conhecer alguém assim, pedirei ajuda lá do alto, para que eu não me magoe e que caia por terra tds as máscaras da mentira. Td de bom para ti Dado.
    bj *~*

  4. Carla disse:

    Assino embaixo. Como é complicado tentar fazer uma pessoa entender que ela já age simulando em tantas situações em sua vida que já nem mais percebe isso como algo ruim… mas não impossível ;)

    Abraço o/

  5. gostaria de resposta,se possível..

  6. DADO

    Continua escrevendo com primazia!

    PARABÉNS!

  7. Vitor Leal disse:

    Estreilar os laços com vc está sendo sem duvida uma oportunidade divina para o meu crescimento.
    O texto está fantastico…
    Deus abençoe irmão.
    Vitor Leal.

    • Ana Lucia Matias dos Reis. disse:

      É MUITO DURO,CONSTATAR ESTE TIPO DE COMPORTAMENTO.ESPECIALMENTE QUANDO ACONTECE BEM PRÓXIMO A NÓS,NA NOSSA FAMÍLIA. MUITO OBRIGADO POR SUA PUBLICAÇÕES,QUE TEM SIDO, MOTIVO DE CRESCIMENTO E FORMAÇÃO. DEUS TE ABENÇOE,MUITA UNÇÃO,MUITA FORÇA DO ALTO PARA TI.

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