Relacionamentos Dado Moura

Quero um amigo e não um juiz

Quero um amigo e não um juiz


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Quando uma pessoa se vê em dificuldades e pede por socorro, obviamente, deseja encontrar uma luz para sair do poço escuro e úmido no qual se encontra. Ela se sente como o último tomate de uma feira livre, e na condição em que está vivendo nem sempre tem forças para se livrar dos problemas por conta própria. Entretanto, por várias vezes, nós que precisávamos ser o amigo nesses momentos, não passamos de algozes ou talvez de juizes acusadores soberbos de si.

Ninguém consegue sair dos “calabouços particulares” se não tiver o apoio de alguém que lhe estenda as mãos. Há pessoas que vivem na dependência do álcool e se sentem reféns da própria condição. Hipnotizadas pelas mesas de bar ou por um balcão de boteco sucumbem na soleira desses estabelecimentos. De uma maneira geral, muitos jovens e adultos também se vêem presos a outros vícios que minam sua auto-estima.
Não tão explícito como o alcoolismo, alguns vícios fazem as pessoas digladiarem, secretamente, com elas mesmas, pois entendendo sobre o certo e o errado, sofrem ao reconhecer as reincidências em suas tendências e fraquezas. Tais pessoas, muitas vezes, têm somente coragem de partilhar suas dores com os travesseiros na solidão de seus quartos.

Assim como não existe pecado que um sacerdote ainda não tenha ouvido, não há vícios e más tendências que uma outra pessoa já não tenha anteriormente superado. Essas pessoas, muitas vezes, foram testemunhas de que, um dia, estavam presas aos mesmos laços ou vítimas de uma tendência humana que as fazia cair em seus erros. Cabe àqueles, que já passaram pelas mesmas experiências e entendendo a delicada situação daqueles que vivem seus temores, solidarizar-se com os sofredores que vêm em busca de seu socorro. Nisso se identifica uma das qualidades de amigo.

Verdadeiros amigos são aqueles que – embora não tenham estabelecido conosco um contrato firmado em cartório –, desejam partilhar suas experiências e colher das nossas quando partilhadas. Por haver credibilidade e confiança entre amigos, não hesitamos em expor nossas carências que raramente falaríamos para outras pessoas.

Com conhecimento de causa, sabedoria e humildade, certamente, a última coisa que um amigo verdadeiro poderia fazer seria condenar aqueles que nele vêem o auxilio providencial, não o poupando dos conselhos e das verdades quando necessárias. Ainda assim, de que valeria as muitas palavras de advertências se não houvesse atos de misericórdia?

Deus abençoe a cada um de nós que se põem na qualidade de amigos conselheiros.

Um abraço

Dado Moura

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