Atrás de um volante, muitos motoristas parecem ser transformados. Mesmo não sendo “motoristas mutantes”, quando no trânsito são vítimas de uma fechada ou perdem a vaga de um estacionamento, facilmente colocam as “garras de fora”. Aqueles, que antes pareciam tão centrados emocionalmente, agora demonstram reações contrárias ao seu comportamento usual nessas situações. Em alguns casos, muitos fazem de seus veículos uma arma, disparando em alta velocidade, e tirando a vida de outros ou os matando ao atentar verbalmente contra a sua moral. Infringindo, assim, contra o primeiro mandamento dos motoristas: Não Matar!
O acúmulo de compromissos ou a falta de prudência faz muitos condutores disputarem cada centímetro do asfalto, deixando a educação acontecer numa outra ocasião. Na pressa contra os segundos, colocam em risco a sua própria vida e a de terceiros, esquecendo-se de que a estrada deve ser forma de comunhão entre pessoas e não arma mortal.
Muitas outras surpresas desagradáveis poderão estar reservadas no trânsito, e a direção defensiva é o antídoto para combater ou minimizar os riscos de um futuro aborrecimento. Cortesia e prudência ajudarão a lidar com os imprevistos. Nos tempos em que a insegurança nos assola, os carros ganham filmes escuros nos vidros e temos a impressão de que a película protetora, muitas vezes, embala também a solicitude dos corações de alguns motoristas, tornando-os indiferentes a ponto de faltar com a ajuda ao vizinho necessitado, especialmente vítimas de acidentes.
A busca pelo avivamento de nossas virtudes deverão ser sempre as primícias de nossos relacionamentos. Contudo, existem muitas pessoas ávidas por uma oportunidade de se impor, de alguma maneira, sobre as demais. Para alguns corações desatentos, a ânsia pelo poder alimenta, sorrateiramente, os ânimos fazendo com que tudo se transforme em sinônimo de glória. Não obstante, o valor de um automóvel e suas qualidades podem ser expressão de poder e dominação, e uma ocasião para pecar.
A sensação de poder e o sabor inebriante da liberdade podem fazer com que jovens e adultos inaptos à prática da direção ousem a assumir a função de motorista. Convencer jovens e os não tão jovens a não dirigirem quando não estão aptos a fazê-lo deve ser o compromisso daqueles que dizem amá-los. Pois muitos motoristas incapacitados ou sem condições físicas para dirigir dificultam a vida de outras pessoas inocentes, provocando tragédias. O mínimo que poderíamos fazer ao presenciá-las, ao invés de parar apenas como observadores curiosos, seria apoiar as famílias de vítimas de acidentes sendo solícitos em suas necessidades momentâneas.
Dos grandes aos pequenos acidentes de trânsito é muito comum se presenciar discussões. Nem sempre são relevantes os motivos que alteram os ânimos dos motoristas fazendo-os digladiar com palavras de forma a humilhar o seu semelhante. Cabe a outros motoristas, distanciados da situação, procurar prestar socorro e acalmar os mais exaltados, aproximando o motorista culpado e a vítima para propiciar o perdão.
Se em cada novo motorista habilitado houver o desejo de aplicar nas estradas o senso de proteção e zelo para os mais vulneráveis, respeitando as oportunidades de ultrapassagens seguras e não se valendo do tamanho ou peso de seus veículos sobre os carros de passeio, certamente, nossas estradas se transformarão em grandes veredas, pelas quais cada um que por elas trafegar poderá se sentir responsável pelo seu próximo.
Busquemos cultivar e viver as nossas responsabilidades como intercessores motorizados.
Um abraço a todos. Nós nos veremos no próximo cruzamento!
Dado Moura
Artigo produzido a partir dos Mandamentos para Motoristas, criados pelo Vaticano para promover mais segurança nas estradas. Neste texto, tomei a liberdade de apresenta-los em sua ordem original destacado-os em negrito.